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Enfarpeladasocumveu

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O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano – António R. Damásio[1]

 Actualmente, vários estudos têm abordado de forma mais sistemática um “velho” tema, o das emoções e a sua importância no controle do comportamento, incluindo as chamadas funções mentais superiores como a percepção, aprendizagem, memória e inteligência. Realmente, nos últimos tempos, a emoção e a cognição têm estado mais no cerne das investigações e, em Portugal tal aconteceu, nomeadamente, após a edição do livro de António Damásio O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano”.

De facto, desde essa primeira edição, em 1995, muita coisa mudou nas concepções da relação entre o corpo e a mente, na relação entre a razão e a emoção. Também desde então se alargaram os horizontes relativamente às questões da distinção entre doenças do «cérebro» e doenças da «mente», tal como entre problemas «neurológicos» e «psicológicos» ou «psiquiátricos» que como é referido pelo autor, “constitui uma cultural infeliz que penetra na sociedade e na medicina” (Damásio, 2005: 60). Contudo os horizontes passaram a alargar-se na sequência dos casos referidos nesta obra de tal modo que, desde então, a sociedade e a cultura começam a compreender melhor a relação de proximidade existente entre o cérebro e a mente, havendo mesmo já quem comece a aceitar que algumas imperfeições de carácter não são culpa das pessoas que as apresentam, nem dependem da sua vontade, como outrora era considerado. Hoje em dia já se começa a compreender que alguns comportamentos menos adequados que afectam a conduta e as emoções apresentando-se como inconveniências sociais difíceis de compreender e aceitar, decorrem de doenças da mente e são fruto de problemas vários ou de lesões cerebrais existentes, a maior parte das vezes desconhecidas, e não da responsabilidade do querer e do livre arbítrio de cada ser humano que as apresenta. Mais, há situações de doentes com anomalias profundas em termos de comportamentos sociais que podem ter um excelente desempenho em termos de inteligência, memória e raciocínio mentais. De facto ainda estamos longe de poder imediatamente avaliar estas situações pois os meios de diagnóstico ainda são algo rudimentares. (...)